sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Eu ipê

Todos os anos, eu fico impressionada com a beleza dos ipês... é algo que realmente me emociona, me move para um lugar muito bonito, onde beijo cada flor. Depois do meu encontro com eles, sempre ficam os pensamentos desenhando o amarelo e a assimetria das flores, dos troncos... e a pergunta: como algo tão irregular, pode ser tão belo? Como aqueles galhos secos podem gerar flores tão exuberantes? Este ano, além da emoção, houve identificação... Eu me vi ipê! Pois estive imersa em aridez, com extensões tortas e algumas partes mortas, aos olhares superficiais. Perdi uma das minhas raízes mais profundas, sem esta raíz, juro eu morri de várias formas. Então, contrariando a tudo e todos, eu flori. Sim, eu flori! Estou linda e exuberante, ainda que torta, ou justo por ser torta. Eu me tornei mãe, meu filho está ornando meus galhos e por este motivo eles agora passam desapercebidos... sou apenas o suporte da flor mais bela, meu filho Luiz. Esta talvez seja a restauração da raiz que me faltou. Ao menos o nome é o mesmo... Luiz, minha flor, minha raiz.